Como a mente consegue ser mais forte que a programação genética?
A conclusão lógica é que mente (energia) e corpo (matéria) têm constituição semelhante, embora a medicina ocidental venha tentando tratar as duas separadamente há séculos.
No século XVII, René Descartes negou o conceito de que a mente tenha influência sobre o corpo. Afirmou que o corpo físico é composto de material denso e a mente, de uma substância ainda não identificada porém imaterial. Como não conseguiu identificar a natureza da mente, resolveu deixar o assunto de lado e o mundo continuou com uma questão filosófica não resolvida: se a matéria só pode ser afetada por matéria, como uma mente não material pode estar “conectada” a um corpo denso?
O fantasma na máquina
A questão de Descartes acabou sendo definida popularmente como “o fantasma na máquina” [a ghost in the machine], em um livro de Gilbert Ryle publicado 50 anos atrás, chamado The concept of mind [O conceito da mente].[1]
A biomedicina tradicional, baseada em um universo de matéria puramente física e em conceitos newtonianos, concordava com a teoria de Descartes sobre a divisão mente/corpo. Em termos médicos, é muito mais simples consertar um corpo mecânico sem ter de pensar na incómoda figura de um “fantasma”.
A realidade de um universo quântico retoma conceitos que Descartes refutou. Sim, a mente (energia) emana do corpo físico exatamente como ele pensava. A nova compreensão da mecânica do universo, porém, mostra como o corpo físico pode ser afetado pela mente não-material.
Pensamentos, que são a energia da mente, influenciam diretamente a maneira como o cérebro físico controla a fisiologia do corpo. A “energia” dos pensamentos pode ativar ou inibir as proteínas de funcionamento das células. O poder da mente pode ser ainda mais eficaz que as drogas das quais estamos programados a acreditar que precisamos.
Pensar positivo não altera nossa vida
Claro, é importante para nossa saúde e bem-estar manter a energia da mente sempre positiva e elevar a auto-estima, evitando pensamentos negativos que drenam a energia e debilitam o corpo. Porém, o simples fato de pensar positivo não altera nossa vida!
Na verdade, muitas pessoas que tentam pensar positivo e não conseguem acabam ficando ainda mais debilitadas, acreditando que não há mais esperança para sua vida e que já esgotaram todas as possibilidades e recursos disponíveis.
O que elas não entendem é que as subdivisões aparentemente “separadas” da mente, a consciente e a inconsciente, são interdependentes.
A mente consciente é a mais criativa e a que gera “pensamentos positivos”. Já a mente subconsciente é um depósito de reações e de respostas a estímulos derivados dos instintos e das experiências vividas. Mantém (infelizmente) sempre o mesmo padrão habitual, emitindo as mesmas respostas comportamentais ao longo de toda a vida.
Quando se trata de habilidades de processamento neurológico, a mente subconsciente é milhões de vezes mais forte que a mente consciente.
Se os desejos da mente consciente entram em conflito com os programas subconscientes, qual lado você acredita que vencerá?
Você pode repetir centenas de vezes afirmações positivas do tipo “as pessoas me amam” ou “irei me curar do câncer“. Se aprendeu desde criança que não pode ser amado ou que tem saúde frágil, essas mensagens programadas em sua mente subconsciente vão fazer cair por terra todos os seus esforços para modificar sua vida. Lembra-se daquelas promessas que fazemos a nós mesmos todo Ano-Novo?
A mente autoconsciente
Humanos e alguns mamíferos desenvolveram uma região especializada do cérebro associada ao pensamento, planejamento e tomada de decisões chamada córtex pré-frontal. Essa parte do cérebro parece ser o centro do processamento da “autoconsciência”.
A mente autoconsciente é auto-refletora, um novo “órgão sensor” que observa nosso comportamento e emoções. Essa mente autoconsciente também tem acesso à maior parte das informações armazenadas em nosso banco de memória.
Trata-se de um recurso extremamente importante, que nos permite lembrar de todo o nosso histórico de vida e assim poder planejar nossas ações futuras.
Além de ser auto-refletora, a mente autoconsciente é extremamente poderosa. Observa todos os comportamentos programados que adotamos, avalia cada um deles e decide conscientemente se deve modificá-los.
Podemos escolher como reagir à maioria dos sinais do ambiente e até se vamos ou não reagir a eles. A capacidade da mente consciente de se sobrepor aos comportamentos programados da mente inconsciente é o que nos permite ter livre-arbítrio.
Percepções como “verdades”
No entanto, essa faculdade especial também é uma espécie de cilada. Enquanto a maioria dos organismos precisa receber diretamente um estímulo específico para reconhecê-lo, a habilidade do cérebro humano de “aprender” é tão avançada que podemos adquirir determinadas percepções indiretamente, a partir da experiência de outras pessoas.
Mas uma vez que aceitamos essas percepções como “verdades”, elas se tornam definitivas em nosso cérebro e passam a ser nossas próprias “verdades”.
E aí está o problema: e quando as percepções de nossos “professores” estão erradas? Acabamos absorvendo informações imprecisas.
A mente subconsciente é basicamente um dispositivo (interruptor) de estímulo-reação. Não há “fantasmas” nesta “máquina” capazes de avaliar as consequências de cada programação que absorvemos.
O subconsciente trabalha somente no momento “presente”. Consequentemente, as impressões equivocadas não são “monitoradas” e acabam nos fazendo desenvolver comportamentos inapropriados e limitadores.
Nossas respostas aos estímulos do ambiente são controladas pela percepção. As crenças controlam a biologia!
🔍 Referências:
[1] Ryle, G. (1949). The concept of mind [O conceito da mente]. Chicago, University of Chicago Press.



