Efeito placebo = Efeito-crença

Mesmo superficialmente, todo aluno de medicina aprende que a mente tem influência direta sobre o corpo e sabe que as pessoas se sentem melhor quando pensam (ainda que não seja verdade) que estão tomando medicamentos. A cura ou a melhora pela ingestão de pílulas de açúcar é classificada como “efeito placebo“.

No entanto, por se tratar de algo que “ocorre apenas na mente”, o efeito placebo tem sido associado pela medicina a algo que só funciona com charlatães ou, na melhor das hipóteses, com pacientes fracos e sugestionáveis.

Mas o assunto é abordado muito rápida e superficialmente nas escolas de medicina. Os professores passam logo às matérias que tratam das verdadeiras ferramentas modernas: as drogas. Infelizmente, isso é um grande erro. O efeito placebo deveria ser um dos principais tópicos de estudo para estudantes de medicina.

O poder dos nossos recursos internos

Os médicos deveriam ser treinados para reconhecer o poder dos nossos recursos internos, e não para considerar o poder da mente como algo simples e inferior ao poder dos elementos químicos ou de um bisturi. Está na hora de deixarem de lado sua convicção de que o corpo e seus membros são desprovidos de inteligência e que precisamos de elementos externos para manter a saúde.

Um estudo da Escola de Medicina Baylor publicado em 2002 no New England Journal of Medicine[1] avaliou o resultado de cirurgias em pacientes com problemas sérios de dores nos joelhos.

O principal autor do estudo, doutor Bruce Moseley, “sabia” que a cirurgia ajudava seus pacientes:

“Todo bom cirurgião sabe que não há efeito placebo em cirurgias”.

Mas ele queria descobrir qual parte da cirurgia trazia alívio aos pacientes.

Dividiu-os em três grupos e raspou a região da cartilagem danificada de um grupo. No outro grupo, afastou a junta do joelho e eliminou, com a ajuda de um jato d’água, a parte que imaginava estar causando a inflamação. Os dois métodos são considerados tratamentos-padrão para problemas de artrite nos joelhos.

Já no terceiro grupo, Moseley “simulou” uma cirurgia. Sedou o paciente e fez três incisões em seu joelho. Durante todo o tempo agiu como se estivesse realmente executando a cirurgia. Jogou até água sobre o local para simular o procedimento. Após 40 minutos costurou as incisões. Prescreveu aos pacientes dos três grupos o mesmo tratamento pós-cirurgia, que incluía um programa de exercícios.

O resultado foi impressionante. Sim, os grupos que receberam a cirurgia de verdade obtiveram melhoras. Mas o grupo placebo também!

A conclusão é que, apesar de serem realizadas mais de 650 mil cirurgias em joelhos com artrite por ano, cada uma delas por cerca de 5 mil dólares, uma coisa ficou muito clara para Moseley, que declarou:

“Minhas habilidades de cirurgião não resultaram benefício algum para esses pacientes. O único efeito em todas elas foi o placebo”.

Os programas de TV anunciaram os resultados da pesquisa e mostraram imagens do grupo placebo andando, jogando basquete e desempenhando tarefas que não conseguiam antes da “cirurgia”. Só ficaram sabendo que não tinham sido operados de verdade dois anos depois.

Um deles, chamado Tim Perez, disse que antes andava com a ajuda de uma bengala, mas que hoje consegue jogar basquete com os netos. Em uma declaração para o Discovery Health Channel, resumiu: “Qualquer coisa é possível neste mundo desde que sua mente queira. A mente é capaz de verdadeiros milagres”.  

Nossas crenças positivas e negativas

Quando nossa mente se modifica, o corpo acompanha as mudanças. A maioria dos médicos conhece bem o efeito placebo, mas muito poucos prestam atenção à sua capacidade de levar à autocura. Se o pensamento positivo pode tirar alguém da depressão e curar um joelho com problemas, imagine o que o pensamento negativo pode fazer.

Quando a mente faz com que a saúde de uma pessoa melhore, chamamos o processo de efeito placebo. Já quando a mente emite sugestões negativas que podem afetar a saúde, os efeitos causados são chamados efeitos “nocebo”.

Nossas crenças positivas e negativas têm impacto não apenas sobre nossa saúde como também sobre outros aspectos de nossa vida. Henry Ford estava certo a respeito da eficácia da linha de produção como também sobre o poder da mente:

“Não importa se você acredita ou não que pode fazer algo… você está certo”.

Henry Ford

Quando reconhecemos o poder de nossas crenças descobrimos a chave da liberdade. Não podemos modificar nossos códigos de programação genética, mas podemos modificar nossa mente.

Você pode escolher aquilo que quer ver. Pode alegrar sua vida com crenças coloridas que ajudam seu corpo a crescer ou usar filtros escuros que mostram apenas imagens escuras e deixam seu corpo e mente mais suscetíveis a doenças.

Você pode escolher viver com medo ou com amor. Há sempre duas possibilidades! Quem escolhe o amor vive com mais saúde. Mas quem escolhe o mundo escuro do medo tem muito mais problemas, pois se isola fisiologicamente tentando se proteger.

Aprender a mudar sua mente para crescer e se desenvolver é o segredo da vida. Como dizia Mahatma Gandhi:

“Suas crenças se tornam seus pensamentos. Seus pensamentos se tornam suas palavras. Suas palavras se tornam suas ações. Suas ações se tornam seus hábitos. Seus hábitos se tornam seus valores. Seus valores se tornam o seu destino.”

🔍 Referências:


[1] Moseley, J. B., O’malley, K. et al. (2002). “A controlled trial of arthroscopic surgery for osteoarthtitis of the knee” [Um processo controlado de cirurgia artroscópica de osteoattrite de joelho]. New England Journal of Medicine, 347(2): 81-88.

You cannot copy content of this page