Reencarnação e Biologia

Como somos máquinas de proteína, por definição somos feitos à imagem do ambiente, seja ele o chamado universo ou, como muitos preferem chamá-lo, o próprio Deus.

As células adotam determinado tipo de comportamento quando seu cérebro, a membrana, reage aos sinais do ambiente. Na verdade, cada proteína funcional em nosso corpo é uma “imagem” complementar de um sinal do ambiente. Isso significa que cada proteína em nosso organismo é um complemento físico-eletromagnético de algo no ambiente.

Um estudo bem detalhado desses receptores, chamados auto-receptores ou antígenos dos leucócitos humanos (HLA), mostra que eles têm relação com as funções do sistema imunológico. Se fossem removidos de nossas células elas deixariam de refletir nossa identidade.

Ainda seriam células humanas, mas sem personalidade específica. Os auto-receptores são necessários para que haja uma identidade.

Os receptores da célula

Quando doamos um órgão, quanto mais semelhantes aos nossos forem os auto-receptores da pessoa que irá recebê-lo, menos agressiva será a reação de rejeição de seu sistema imunológico.

A natureza desigual dos nossos auto-receptores revela que nossas identidades são muito diferentes. Essa diferença faria com que os receptores das membranas ativassem seu sistema imunológico e seu corpo tentaria eliminar o conjunto de células transplantadas estranhas a ele. Você teria mais chances de sobreviver encontrando um doador de auto-receptores mais semelhantes aos seus.

Cada célula tem uma série de dispositivos receptores localizados na superfície externa de sua membrana que agem como “antenas”, captando sinais complementares do ambiente. Esses receptores “lêem” os sinais do “eu”, que não existe dentro da célula mas sim no ambiente ao seu redor.

Imagine o corpo humano como um aparelho de televisão. Você é a imagem na tela. Mas sua imagem não vem de dentro do aparelho. Sua identidade é uma transmissão do ambiente captada por uma antena.

Um dia você liga a TV e a imagem simplesmente não aparece. Sua primeira reação é pensar: “A televisão quebrou”. Mas será que a imagem deixou de existir?

Para saber, basta pegar outra televisão, ligar e sintonizar o mesmo canal a que você estava assistindo. A imagem continua existindo mesmo que a televisão tenha “morrido”. A morte do receptor não elimina a transmissão do ambiente.

Nessa analogia, a televisão física equivale à célula. A antena que capta a programação representa nosso conjunto de receptores de identidade e a transmissão representa o sinal do ambiente.

Como estamos acostumados com o conceito do mundo materialista newtoniano, podemos imaginar que os receptores de proteína das células são o “eu”. Mas isso equivaleria a acreditar que a antena da TV é a fonte da identidade da imagem.

Os receptores da célula não são a fonte mas sim os veículos do “eu” baixados (como um download) do ambiente.

Minha identidade uma imensa quantidade de informações

Assim como na analogia da TV, se meu corpo morrer e no futuro um novo indivíduo (um “aparelho de TV biológico”) nascer com o mesmo tipo de receptores, minha identidade pode ser baixada e eu passarei a estar presente no mundo novamente.

Mesmo que meu corpo físico morra, a transmissão continuará presente. Minha identidade é como uma complexa assinatura: contém uma imensa quantidade de informações que abrangem coletivamente o ambiente.

O que comprova essas conclusões, de que a transmissão de um paciente continua presente mesmo após sua morte, são os casos de muitas pessoas que dizem sentir modificações psicológicas e comportamentais após receberem um transplante de órgãos.

Um exemplo é o de Claire Sylvia, da Nova Inglaterra, que sempre teve uma personalidade bastante conservadora, porém, começou a gostar de cerveja, nuggets de frango e motocicletas após sofrer um transplante de coração.

Procurou então a família do doador e descobriu que ele era um rapaz de 18 anos que gostava de motocicletas e adorava nuggets e cerveja.

Em seu livro, A voz do coração, ela descreve as transformações de sua personalidade e também as experiências de outros pacientes, com quem teve contato em um grupo de apoio após o transplante.

Uma teoria sobre como esses novos comportamentos são implantados no paciente junto com o órgão é que existe uma “memória celular”, ou seja, de que algumas de nossas lembranças ficam impregnadas em nossas células.

Devo fazer um parêntese. As células podem “se lembrar” que são parte de um músculo ou do fígado, mas há um limite para sua inteligência.

Os conceitos de memória psicológica e comportamental fazem todo sentido se pararmos para pensar que os órgãos transplantados mantêm os receptores de identidade dos doadores e, aparentemente, continuam absorvendo as mesmas informações ambientais.

Apesar de o corpo da pessoa que os doou esteja morto, sua transmissão continua.

Nossas atitudes alteram o ambiente

Os transplantes de células e de órgãos oferecem um modelo não apenas da imortalidade como também da reencarnação.

Considere a possibilidade de que no futuro um embrião venha a apresentar as mesmas características e receptores de identidade que eu possuo hoje. Será, então, um embrião de “mim mesmo”.

Minha identidade estará de volta, porém em um corpo diferente. Discriminações raciais e de sexos passam a ser algo ridículo e até mesmo imoral quando percebemos que nossos receptores podem ser reproduzidos no futuro tanto em um corpo branco como em um negro, asiático, masculino ou feminino.

Como o ambiente representa “tudo o que existe” e nossas antenas receptoras captam apenas parte do sinal universal, cada um de nós representa uma pequena parte.

Embora a analogia da TV seja útil para explicar a teoria, não é completa porque a televisão é apenas um aparelho receptor. Mas durante a vida, nossas atitudes alteram o ambiente. O simples fato de existirmos no planeta já modifica algumas coisas.

Você e eu somos “residentes da Terra” e recebemos informações de uma grande central de controle técnico-espiritual. As experiências que adquirimos durante a vida são enviadas a essa central, nosso espírito. Portanto, a maneira como você vive influencia diretamente as características de seu “eu”. Essa interação corresponde ao conceito de karma.

Quando compreendemos isso, passamos a prestar mais atenção à maneira que vivemos neste planeta, pois as consequências de nossos atos se prolongam além da existência de nosso corpo.

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