Como a mente controla o corpo?

Imagine que você está em uma cabana no meio da savana da Africa e seu organismo foi atacado por uma infecção bacteriana que lhe causou uma forte diarreia. De repente, você ouve o rugido de um leão do lado de fora.

Seu cérebro tem de tomar uma decisão rápida sobre qual ameaça deve ser priorizada. Não vai adiantar reagir às bactérias se o leão acabar devorando você. Então, o corpo interrompe a luta contra as bactérias e utiliza a energia para a fuga.

Além disso, nossa capacidade de pensar com clareza também é afetada. O processamento de informações na parte anterior do cérebro, o centro da razão e da lógica, é significativamente mais lento que a atividade reflexa controlada pela parte posterior.

Em situações de emergência, quanto mais rápido for o processamento, maiores serão as chances de sobrevivência do organismo.

Em uma emergência, o fluxo vascular e os hormônios ativam a parte posterior, fonte de reflexos que mantêm e controlam de maneira mais eficaz os reflexos de luta ou fuga.

Embora aumentem as chances de sobrevivência, os sinais de estresse podem causar um processamento mais lento da mente consciente e também a redução da inteligência. E um preço a se pagar.

A verdade é que, quanto mais tensos ou com medo ficamos, menos inteligência demonstramos.

Situações de estresse

No mundo de hoje, a maioria das situações de estresse que vivenciamos não têm um perfil físico e concreto ao qual podemos simplesmente reagir e continuar a viver normalmente. Somos constantemente perturbados por uma série de problemas não resolvidos em nossa rotina, em nosso trabalho e em nossa comunidade global.

Para ilustrar os efeitos adversos de quantidades maiores e constantes de adrenalina no organismo, vamos usar o exemplo de uma corrida.

Um time de maratonistas saudável e bem treinado se coloca na linha de largada. Quando ouvem o comando “atenção!”, todos se agacham e ficam apoiados nas mãos e com os pés nos apoios.

Ao segundo comando, “preparar!”, seus organismos liberam hormônios de adrenalina que facilitam a reação de fuga e preparam os músculos para a árdua tarefa que os espera. Enquanto estão em posição de preparo, esperando o comando “já!”, seus corpos antecipam o esforço.

Em uma corrida normal, a tensão dura somente alguns segundos antes da largada. Mas, imaginemos uma situação em que, por algum motivo, ninguém grita “já!” e os atletas têm de ficar esperando.

Seus corpos estão preparados, seu sangue está cheio de adrenalina e a ansiedade de ouvir o comando começa a desgastá-los. E, mesmo que estejam psicologicamente preparados para a espera, em alguns segundos eles podem entrar em colapso devido à tensão.

Hoje vivemos em um mundo no qual “preparar!” é o comando principal. Um número cada vez maior de estudos e pesquisas mostra que nosso estado constante de tensão e vigília acaba afetando severamente nossa saúde.

A maioria das doenças humanas está relacionada ao estresse crónico. Sugiro a você que analise seus medos e a maneira como o comportamento de proteção afeta sua vida.

Quais medos impedem o seu crescimento? De onde eles vêm? São realmente necessários? São reais? Contribuem de alguma maneira para sua vida?

Se aprendemos a controlar nossos medos, podemos recuperar o controle de nossas vidas.

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