Os padrões que aparecem e desaparecem
Na primeira metade do século XX um contador, Ralph Nelson Elliott, sugeriu que a natureza segue padrões que podem ser detectados, classificados e previstos com números. Do surgimento e declínio de populações até os ciclos do tempo, suas teorias sugeriam que a natureza tende ao equilíbrio.
Considerando a humanidade como parte da natureza, Elliott argumentava que a nossa vida, incluindo a forma como aplicamos dinheiro na bolsa de valores, também deveria seguir padrões naturais — padrões que podem ser delineados e classificados visualmente.
Elliott aplicou suas teorias com sucesso a ciclos de negócios e finanças, e suas conclusões se tornaram a base de um dos instrumentos de previsão mais bem-sucedidos da bolsa de valores na história, mais tarde conhecido como Teoria da Onda de Elliott.
Não deve ser surpresa, então, que os nossos hábitos de consumo — ou qualquer outro padrão em nossa vida, nesse aspecto — possam ser representados matematicamente. É crença amplamente difundida que os números são a linguagem universal que descreve todas as coisas, desde a origem das galáxias até os volteios do leite numa xícara de café.
Seguindo esse raciocínio, faz sentido que os mesmos processos que descrevem o mundo visível da natureza possam também ser vistos como metáforas do mundo invisível dos sentimentos e das emoções! É esse exatamente o caso da matemática fractal.
A geometria fractal
Como uma inovação relativamente recente no modo de descrever o mundo, a geometria fractal combina matemática com arte para nos mostrar visualmente o que as equações, no passado, apenas sugeriam.
De picos acidentados das montanhas a vasos sanguíneos, de costas litorâneas a partículas de linho, os fractais nos permitem modelar muitas coisas que vemos na natureza. Fazendo isso, somos transportados além do mundo às vezes seco e estéril dos números no papel para a beleza e o mistério de ver esses números como uma linguagem que ilustra o nosso mundo.
Uma das formas mais aceitas entre os modelos de fractais é conhecida como equação de Mandelbrot, ou conjunto de Mandelbrot. Descoberta pelo matemático Benoît Mandelbrot no final dos anos 1970, no momento em que essa equação “viva” é posta em movimento na tela do nosso computador, ela cresce e se transforma por breves instantes numa bela e volátil série de curvas, remoinhos e padrões rendilhados. Ela ilustra assim a dança incessante entre equilíbrio e caos na natureza.
Quando observamos a mudança de padrões e cores nas imagens simuladas, o que vemos na verdade é uma representação extraordinária do modo como os nossos relacionamentos emocionais se apresentam em nossa vida. Os padrões que aparecem e desaparecem representam os relacionamentos e as profissões e toda a alegria e tristeza que entram e saem da nossa vida. As imagens de computador nos mostram que o equilíbrio só é alcançado quando todos os padrões estão dispostos de maneira a dar-lhe sustentação.
Repetindo padrões
Do mesmo modo, só podemos passar pelas maiores provações, bem como aceitar as melhores dádivas, quando todas as peças estão no seu devido lugar. Como símbolos da incessante dança de opostos (dar e receber, contração e expansão, dor e recuperação), essas imagens fortes contam a história de como a natureza está sempre num movimento de aproximação ou de afastamento do equilíbrio perfeito. Assim, vemos em imagens o que vivemos na vida real.
Somente quando aprendemos tudo o que precisamos e temos todas as ferramentas para sobreviver e curar em nossa “caixa de ferramentas espiritual” é que podemos atrair os romances, as mudanças na profissão, os sócios e as amizades que nos possibilitam aplicar o que aprendemos. Outra forma de dizer isso é que, se a vida nos mostra sofrimento, decepção, perda e traição, já devemos ter o que precisamos para passar pela experiência.
O aspecto fundamental é que o objetivo não é o equilíbrio; o que imaginamos como “equilíbrio” é na verdade o gatilho que desencadeia a mudança! Vemos isso nos fractais e também na nossa vida.
Somente quando os padrões na tela do computador encontram o equilíbrio perfeito (quando os padrões são iguais) é que eles começam a se separar, apenas para evoluir para padrões mais novos de equilíbrio ainda maior. A nossa vida parece funcionar exatamente da mesma maneira.
Diferentemente do breve período de vida dos fractais, porém, parece não haver limite de tempo para acumularmos ferramentas espirituais em nossa vida. Embora as imagens digitais se desfaçam e se recomponham em questão de minutos, pode levar meses, anos, décadas ou mesmo uma vida inteira para que um determinado ciclo se complete dentro de nós.
Ao longo do caminho podemos nos surpreender repetindo padrões, exercendo a mesma profissão, tendo a mesma espécie de amigos ou vivendo romances da mesma natureza até que a experiência do “Aha!” desperte dentro de nós a percepção da razão por que fazemos as coisas que fazemos.
Você já se perguntou, por exemplo, por que pode começar um novo trabalho numa nova cidade com novos colegas e, exceto pelos nomes diferentes, deparar-se exatamente com as mesmas situações que o levaram a abandonar o último emprego na última cidade?
Os padrões não são necessariamente “bons” ou “ruins” — não há julgamento implícito aqui. Se você se flagra desempenhando um antigo padrão conhecido num novo cenário, essa é simplesmente uma oportunidade para perceber o que ele pode estar dizendo sobre a sua vida. O reconhecimento de situações como essa lhe dá a oportunidade de se tornar uma pessoa melhor.
Quer tenhamos ou não consciência desse princípio, seja o que for que a vida ponha no nosso caminho, quando nos deparamos com uma “crise” à nossa porta, já temos tudo de que precisamos para resolver o problema, aliviar o sofrimento e sobreviver à experiência. Devemos fazer isso, pois esse é o modo de proceder da natureza!



