A Consciência é um Produto do Cérebro ou uma Propriedade do Universo?

Ao contrário de uma difundida crença, a consciência não é um fenômeno unicamente humano. Embora conheçamos apenas a consciência humana — e, na verdade, por experiência direta e inquestionável, conheçamos apenas a nossa própria consciência — não temos nenhuma razão definitiva para acreditar que ela esteja limitada aos seres humanos.

O tipo de evidência que poderia demonstrar a limitação da consciência para os seres humanos diz respeito ao cérebro: seria uma evidência de que o cérebro humano tem características específicas em virtude das quais ele produz a consciência.

Como a matéria pode gerar a mente?

Apesar da visão apresentada por cientistas e filósofos materialistas segundo a qual o cérebro físico é a fonte da consciência, não há nenhuma evidência desse tipo. As evidências clínicas e experimentais dizem respeito apenas ao fato de que função cerebral e estado de consciência estão correlacionados, de modo que quando a função cerebral cessa, a consciência também cessa.

A IRM funcional (formação de imagens por ressonância magnética) e outras técnicas mostram que quando ocorrem determinados processos de pensamento, eles estão associados com mudanças metabólicas em áreas específicas do cérebro. Elas não mostram que as células do cérebro que produzem proteínas e sinais elétricos também produzem sensações, pensamentos, emoções, imagens e outros elementos da mente consciente.

A maneira como a rede de neurônios do cérebro produziria as sensações qualitativas que constroem nossa consciência é algo que está além do alcance das pesquisas neurofisiológicas.

O fato de que um alto nível de consciência, com imagens, pensamentos e sensações articuladas, e ricos elementos subconscientes, está associado com estruturas neuronais complexas não nos diz que tal consciência se deva a essas estruturas.

A constatação de que a função cerebral está associada com a consciência não implica que o cérebro cria a consciência.

O cérebro cria ou transmite a consciência?

De acordo com a nova física, as partículas e átomos — e as moléculas, células, organismos e galáxias — que surgem e evoluem no espaço e no tempo emergem do mar de energia virtual conhecido pelo nome de vácuo quântico.

Essas coisas não apenas se originaram no mar de energia do vácuo; elas interagem continuamente com ele. Sabemos que esse mar de energia virtual sutil é o terreno de origem dos pacotes de onda que consideramos como matéria, e temos boas razões para supor que é também o terreno de origem da mente.

Não poderia o próprio cosmos ser dotado de algum tipo de consciência?

Não há nenhuma maneira de contar essa história a partir da experiência sensorial comum. A consciência é “privada”, não podemos observá-la ordinariamente em ninguém a não ser em nós mesmos.

A afirmação segundo a qual o vácuo é um campo de protoconsciência, embora seja apoiada pelo raciocínio lógico, está condenada a permanecer hipotética.

O diálogo entre ciência e tradições antigas

Ao longo das eras, místicos e videntes têm afirmado que a consciência é fundamental no universo.

Por exemplo, a tradição védica indiana considera a consciência não como uma propriedade emergente que passa a existir por intermédio de estruturas materiais como o cérebro e o sistema nervoso, mas como um imenso campo que constitui a realidade fundamental do universo.

Em si mesmo, esse campo não é limitado nem dividido por objetos e experiências individuais, mas pode ser vivenciado por indivíduos em meditação, quando as camadas mais espessas da mente são retiradas. Subjacente às camadas grosseiras, diversificadas e localizadas, da consciência ordinária há uma camada sutil, unificada e não-localizada: a “consciência pura”.

Uma nova interpretação da evolução

De acordo com as antigas cosmologias, a consciência do universo, indiferenciada e que abrange tudo, se separa de sua unidade primordial e se torna localizada em estruturas particulares de matéria.

Essa percepção profunda pode ser reformulada no contexto da linha de frente da ciência.

Nesse contexto, especificamos que a protoconsciência que permeia o cosmos se torna localizada e articulada à medida que partículas emergem do vácuo e evoluem em átomos e moléculas. Em planetas que abrigam vida, os átomos e moléculas evoluíram em células, organismos e ecologias. Por meio deles, a consciência que permeia o cosmos tornase cada vez mais articulada.

A mente humana, associada com o cérebro humano notavelmente evoluído, é a articulação de mais alto nível neste planeta da consciência, que, emergindo do vácuo, permeia o cosmos.

Uma questão ainda em aberto

A ciência ainda está longe de responder definitivamente à pergunta sobre a origem da consciência.

Talvez o cérebro produza a mente. Ou talvez a consciência seja uma propriedade fundamental do próprio universo, manifestando-se através das estruturas vivas.

Independentemente da resposta, uma coisa é certa: compreender a consciência continua sendo uma das maiores fronteiras do conhecimento humano.

Por último, porém não menos importante, formulamos a pergunta que, talvez, seja a mais instigante de todas as grandes perguntas que as pessoas já fizeram: “Nossa consciência pode sobreviver à morte física do nosso corpo?”

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